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De Azeroth para o mundo real

De Azeroth para o mundo real

Um ensaio sobre Realengo, armas de tiro e orcs sedentos por sangue.

Talvez você não tenha percebido, mas os games ganham cada vez mais força no Brasil. É o que nós, especialistas, chamamos de mainstream. Os jogos estão nos jornais, na televisão, nas rádios e, obviamente, na internet. Toda essa atenção dedicada ao título arranca, involuntariamente, um sorriso de um profissional da área. É como ver o seu filho crescer e saber que, em breve, ele estará pronto para abrir as portas de um novo mundo.

Nem tudo são flores, infelizmente. Como falamos acima, nós (e nossos jogos) estamos conquistando cada vez mais espaço. E tudo aquilo que é novo inspira o ser humano. É especialmente interessante usar novos mapas e realizar descobertas inéditas. Somos, todos nós, curiosos por natureza. Quando estamos em um novo jogo, queremos explorar grandes mapas e descobrir desafios. Podemos vibrar quando derrotamos um chefe gigante que tem um ataque gráfico extremamente luminoso (que nos faz morrer de medo!) e que, no fim, nem era tudo aquilo. Essa sensação é extremamente gostosa. E ela também está presente no mundo real – para o bem e para o mal.

Recentemente tivemos um caso ruim em Realengo, no Rio de Janeiro.

O fato: um rapaz armado infiltrou uma escola pública, assassinou 13 estudantes e deixou outros feridos.

A cobertura “jornalística”: Wellington Menezes de Oliveira cometeu o crime influenciado por videogames.

Encontraram games no computador de Wellington. Isto também é um fato Mas esqueceram de dizer que, na casa do rapaz, também encontraram televisão, telefone, comida e, pasmem, papel higiênico. Tudo aquilo que faz parte do meu dia-a-dia e do seu. O que a mídia não encontrou, em momento algum, foi um motivo para explicar o que Wellington fez. E aí está um dos principais erros: tentar entender em alguns dias o que um rapaz levou uma vida inteira e, provavelmente, não conseguiu. É claro que vai dar caca.

Tela de Counter Strike

Tela de Counter Strike

Quando a imprensa não encontra explicações para os fatos, costuma recorrer à especialistas do ramo. Como nos games – e em qualquer outro segmento – existem especialistas e “especialistas”. No caso, a TV Record ouviu a Dr. Soraya Hissa de Carvalho (confira o currículo dela aqui) para criar a reportagem “Atirador de Realengo jogava games violentos”.

O jornalismo de verdade é tem como pilar algumas características. Dentre elas, podemos citar a isonomia e o famigerado “ouvir os dois lados do fato”. A especialista (que em sua experiência não possui qualquer vivência ou conhecimento aprofundado dos games) apresentou motivos pelos quais games podem influenciar as pessoas. Eles influenciam, é verdade – assim como faz um show musical, uma conversa com o seu vizinho ou, ainda, um programa de televisão. Oras, a sociologia já deixou provado que o ser humano é uma esponja e que absorve tudo que está ao seu redor. No final sabemos que o homem é fruto do meio. A reportagem, entretanto, deixou de apontar inúmeros benefícios que os games podem trazer para o jovem, o homem e a sociedade. Aqui temos um bom exemplo. Uma busca rápida no google vai apontar mais uma centena deles.

Não estou aqui para justificar o crime cometido por Wellington. Minha área é games e, portanto, falo sobre aquilo que entendo. Assuntos que fogem da minha expertise eu deixo para pessoas competentes à eles comentarem. Caso contrário, posso falar besteira – como infelizmente nossa imprensa tem insistido em fazer. Estou aqui para lembrar que jogos podem ajudar na educação e na criação de um caráter.

Wow prega a cooperação para objetivos comuns

Wow prega a cooperação para objetivos comuns

O mundo precisa saber que não queremos uma ShadowMourne ou um Mjölnir para arrancar a cabeça de conhecidos nas ruas. E que, na vida real, não somos Orcs sedentos de sangue. Pelo contrário: podemos mostrar ao Brasil que games como Ragnarök e World of Warcraft nos ensinam a trabalhar em grupo, manter o foco, e aumentar a dedicação para superar desafios.

Você concorda? Discorda? Por favor, comente e registre sua opinião. Ela é muito importante!

Até a próxima!

José Júnior

Trabalha no departamento de Comunicação da Level Up!. É formado em Jornalismo e pós-graduando em Relações Públicas. Foi editor de games online da EGM Brasil (hoje, EGW) revista para qual ainda escreve eventualmente. No twitter, @followjr.

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4 Comments

  1. Magno R. Trevisan says:

    Com certeza concordo, existem varias materias publicas em sites como wowgirl e wowbrasil falando a respeito disso, como por exemplo a timidez dos players quando vao enfrentar as “dungeons” do jogo aonde todos tem que agir em conjunto, o medo de oque os outros vão pensar de vc, isso leva a pessoa real por trás do computador superar uma dificuldade e consequentemente levar isto para sua vida real. Aqueles que trabalham sabem que quando vc quer crescer constantemente no seu trabalho vc precisa superar desafios e ser criativo todos os dias e isso gera uma certa adrenalina.
    Por isso concordo que os jogos de um ponto de vista correto, podem vir a trazer beneficios sim para os jovens, obvio que, os jovens precisam também enxergar esse ponto de vista e não olhar para o jogo como simplismente um vicio individual.
    Aquele abraço! ;)

  2. Marcos says:

    A análise do nosso amigo José Junior esta perfeita. Infelizmente estamos a margem de uma imprensa sensacionalista que faz de tudo para causa impacto. É muito comum vermos uma mesma matéria ser exposta de formas completamente diferentes em diferentes canais de TV. Tenho pra mim que qualquer atividade, quando feita com moderação, é benéfica a saúde e/ou ao carater de uma pessoa. Dizem até que tomar um pequeno calice de vinho todos os dias é bom para saúde. Mas todos nós sabemos o que acontece quando se abusa. :p
    Talvez tenha chegado o momento em que nós, brasileiros, precisemos ser mais criticos com a qualidade de informação que chega a nós. Afinal de contas, de Médico, Psicologo, Sociologo, JUIZ e louco, todo mundo tem um pouco.

  3. thsportal says:

    Excelente Comentário, obrigado!

  4. thsportal says:

    Excelente Comentário, Muito Obrigado!

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