Você quer trabalhar com games?
Se você está lendo este artigo, provavelmente agia que nem eu. Ligava o MegaDrive (Ou o Atari? Nintendinho?) de madrugada e colocava cobertor em baixo da porta para sua mãe não perceber que você estava acordado. Meus pais investiam horas e horas para dizer que isso não me levaria a lugar algum. Pregavam, no discurso, que para nos darmos bem na vida temos que estudar bastante e ralar no mercado de trabalho. Não os culpo. Já deu para sacar que a geração Y não foi bem compreendida por seus pais.
Pobres eram meus pais. E provavelmente os teus também. Lutaram, incansavelmente, em uma luta que jamais iriam vencer. Uma cruzada inglória. Sem sentido. Quando um guri gosta de videogames a melhor atitude que você pode ter é comprar um PC ou um console para ele. Qualquer outra coisa é perda de tempo.
Mas este mesmo tempo passa e você cresce. A idade começa a pesar. Agora, o menino já tem 16 anos. Depois, 18. Quase chegando aos 20. E neste momento a responsabilidade começa (ou deveria começar) a bater na porta. Fazer barba é fácil. Ter ela na cara não é para qualquer um.
Com a maior sinceridade do mundo eu não acredito que uma pessoa que não ama o que faz seja capaz de prestar um serviço realmente relevante. Foi este pensamento que me deu força e coragem para colocar a cara no mundo e procurar um emprego, qualquer que fosse, na área de games. Um dia deu certo. Recebi uma ligação do Ricardo Farah ex-editor da nossa extinta EGM Brasil e do Orlando Ortiz, responsável pela publicação da Nintendo World aqui nas terras tupiniquins. Nem acreditei. Larguei na hora um trabalho que me pagava mais que o dobro para escrever para a revista que alimentou minha infância. De dentro tudo fica mais fácil. Neste mercado pequeno, onde todo mundo se conhece, os contatos vem e vão. Daí para frente, quem realmente tem talento pode escolher onde quer trabalhar.
Obviamente quebrei a cara. Achei que quando trabalhasse com games iria ficar jogando o dia inteiro. Doce inocência. Hoje, trabalho mais que no passado e, coincidentemente, jogo menos que no passado. As grandes empresas não são tão grandes e precisam, realmente, de pessoas dispostas a dar o sangue e vestir a camisa. Isso inclui algumas madrugadas e finais de semana. Mas, quando você gosta, não há como reclamar.
Eu faria essa mesma jornada mais uma vez. E mais dez vezes, se fosse necessário, escolhendo os mesmos atalhos que tomei no passado. Se você quiser seguir um caminho semelhante, eu deixo algumas dicas.
1 – Coloque as caras no mundo. O que você sabe fazer? Pegue isso e comece a mandar currículos para todos os lugares. Mande duas, três, quatro vezes. Procure novas opções e oportunidades;
2 – Resiliência. Entrar no mercado é a palavra mais difícil. E depois de 6 meses de busca e sem resultados, provavelmente você vai se sentir desanimado. Jogue uma água na cara e continue em frente: as vagas existem.
3 – Conheça – absolutamente – todas as empresas que existem aqui no Brasil. Saiba o que cada uma delas faz. Conheça seus jogos e os serviços oferecidos. Se você quer trabalhar com games, precisa entender este mercado. Veja, semanalmente, todos os websites e confira as vagas abertas.
4 – Estude. Um curso superior é essencial. Na maior parte das vezes, a recomendação é a área de humanas. Mas conheço um guri formado em medicina que trabalha há… umas 8 mesas da minha sala. De qualquer forma, o diploma (ou pelo menos o estudo) faz toda a diferença.
Não é fácil.
Se você acha que é complicado arranjar uma colocação no mercado de games, acredite, é ainda mais difícil contratar. Estou expandindo novamente minha equipe e preciso de um auxiliar para Community Management. Há algum tempo procuro por essa pessoa. Me parece – extremamente – complexo encontrar alguém qualificado, que saiba escrever muito bem, que entenda o mercado de MMOs e que conheça a fundo os jogos e suas respectivas comunidades.
Para reflexão, eu deixo a pergunta: são as vagas que não existem ou os profissionais (e futuros profissionais) que não as descobrem e não se anunciam?
Até a próxima!
José Júnior
Trabalha no departamento de Comunicação da Level Up!. É formado em Jornalismo e pós-graduando em Relações Públicas. Foi editor de games online da EGM Brasil (hoje, EGW) revista para qual ainda escreve eventualmente. No twitter, @followjr.
Dalmar, muito legal essa sua iniciativa, mas não temos equipe de desenvolvimento. Te desejo boa sorte na busca. Abrcs